Alta do diesel no Sul pressiona preço de alimentos em SC
Se a oferta de diesel for normalizada nas próximas semanas, a inflação dos alimentos tende a ser passageira, mas não há previsão para isso.
A disparada no preço do diesel, impulsionada pela guerra no Irã, está encarecendo os alimentos para os consumidores de Santa Catarina e de toda a região Sul nesta atual safra agrícola. O problema ocorre porque a diferença entre os valores cobrados nas refinarias da Petrobras e o mercado internacional desestimulou a compra do combustível no exterior, gerando risco à logística de transporte justamente no momento em que as lavouras mais precisam escoar a produção.
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O Brasil importa cerca de 20% do diesel que consome. Na região Sul, essa dependência externa é ainda mais estratégica para garantir o abastecimento dos caminhões durante as grandes colheitas de arroz, soja e milho. Com o diesel mais caro e o frete em alta, os produtores rurais são forçados a repassar os custos da operação para o preço final cobrado nos supermercados.
Eberaldo de Almeida Neto, especialista e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), explica que a tentativa de segurar os preços internamente afasta os importadores. Sem incentivo financeiro para trazer o combustível de fora, o fornecimento fica ameaçado. “Ninguém consegue operar com risco de mercado e, ao mesmo tempo, com preços artificialmente represados”, afirma.
Como o transporte de cargas no país é essencialmente rodoviário, qualquer falha na distribuição afeta a cadeia produtiva em cadeia. Especialistas apontam que, como o vizinho Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores agrícolas do Brasil, as dificuldades no campo e nas estradas gaúchas refletem rapidamente na mesa das famílias catarinenses e do restante do país.
O impacto final no bolso do cidadão dependerá da duração dessa crise no abastecimento. Se a oferta de diesel for normalizada nas próximas semanas, a inflação dos alimentos tende a ser passageira. No entanto, caso o cenário de escassez persista, a pressão sobre os preços deixará as prateleiras dos mercados e se espalhará para diferentes setores da economia catarinense.
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